A CASA (André Vianco)

André Vianco conseguiu nos escrever em tão poucas páginas, uma história emocionante.
No livro A Casa, ele reúne quatro personagens distintos, mas com um problema em comum. Um coração atormentado, em busca de alivio e paz.
Os personagens tão reais e cativantes, que é impossível não se identificar com algo que aconteceu na vida de cada um.
Todos querendo uma segunda chance, uma possibilidade de mudar sua história, fazer às coisas diferentes, e conseguir a tão esperada paz interior.
Problemas do cotidiano, retratados de uma maneira leve e emocionante.
Rosana é uma mulher madura. Mãe de três filhas e casada a mais de vinte anos com Celso. Porém seu relacionamento com o marido foi se desgastando mais a cada dia.
Rosana tinha certeza que seu marido estava traindo-a, por isso resolveu pagar na mesma moeda. Isso foi à gota d’água de seu casamento, mas ela não poderia imaginar que os dias de vida de Celso, estavam contados.
Após a morte de seu esposo, Rosana sentiu-se extremamente culpada. Foi por sua culpa que ele saiu daquele jeito de casa, que ele passou aquela semana sem ter contato com as filhas, que ele morreu.
Ela então se tornou uma mulher depressiva, mesmo após anos, ainda vive a base de remédios. E o único meio que ela encontra para ter alivio para seu próprio coração, é a morte.
Ismael foi um garoto pobre, que culpava seu pai pela situação financeira da família. O que ele mais deseja era abandonar aquela casa, abandonar aquela família de perdedores, abandonar aquele pai covarde, que sempre teve medo de correr atrás de seus sonhos.
O garoto cresceu se transformou em um maníaco por trabalho. Hoje é dono de milhares de casar noturnas, um dos homens mais ricos da cidade. Mas ele se sente atormentado pela morte de seu pai. O senhor morreu após eles brigarem, uma discussão boba quando Ismael tinha dezoito anos. Mais uma vez o motivo foi dinheiro, a falta de coragem do pai. Ele nunca ouviu o lado de Elias, nunca ouviu a história de porque seu pai aceitava trabalhar tanto por tão pouco. Ele nunca conseguiu conhecer realmente quem era o seu próprio pai.
Leonora sempre foi meio rebelde. A criação, por parte de seu pai, sempre foi em estilo militar. Ele era machista, durão. Leon e sua mãe não podiam ir à calçada, ele as proibia de tudo.
 Mas o mundo da garota acabou quando ela assumiu ser lésbica. Seu pai não aceitava, ele nunca aceitaria uma filha que gostasse de mulher. Leon foi expulsa de casa, humilhada pela família. E sua mãe, a mulher que ela tanto ama, não pôde nem se despedir da filha, e foi expressamente proibida de manter qualquer tipo de contato.
O coração da garota transbordava de ódio. Leon se afundou nas drogas, não sabia o que fazer de sua própria vida. Ela só pensava em dar um jeito de tirar aquele sentimento todo de dentro do seu coração.
Hélio, de todas as histórias essa foi a que mais me chocou e emocionou. Hélio era um homem popular, tudo o que ele tinha era melhor. O carro, a casa, o emprego, a esposa mais linda. E ele se gabava por isso. Sempre contando vantagens para os amigos, ele se sentia o maioral. E tudo se desfez quando Vilma engravidou e sua filha Mariana, nasceu com um problema congênito. Como ele, um homem que sempre teve tudo melhor, podia se contentar com uma filha doente? Uma filha que não poderia ser uma vencedora como ele foi?
Mariana nunca ouviu do pai um “Eu Te Amo”. Hélio nunca incentivou a garota a nada. Ele nunca comprou um presente pra ela.
Quando a garota morreu, ele encontrou algo que o deixou desesperado. Ele sempre foi um monstro.
Desesperado Hélio se tornou um alcoólatra, ele bebia para ter uma paz momentânea, para lutar contra seu fantasma interior, para ter coragem.
Aquele homem que sempre teve tudo do bom e do melhor. Hoje não tinha nada.
Ele perdeu o emprego, o carro, a esposa, ele perdeu a filha.
Pra que viver? Hélio se via em uma alternativa para se livrar de toda aquela dor.
Quatro pessoas, quatro histórias distintas.
A única ligação entre eles, é que todos receberam um cartão misterioso, cartão esse poderá mudar a vida de cada um.
Apenas um endereço, e uma frase que prova que encontrarão alívio para o seu coração.
Todos foram convidados para ir até uma casa amarela.
A casa onde eles terão uma segunda chance, onde encontrarão a paz.
 

Nessa Casa eles começaram uma nova vida.
O que irá acontecer com cada um deles?
Irão perdoar? Terão o perdão?
A Casa, um lugar misterioso que guarda milhões de segredos.
Casa de Livro Recomenda.
Existe um lugar onde todos têm direito a uma segunda chance…

Titulo: A Casa
Autor: André Vianco
Ano: 2002
Páginas: 227
Editora: Novo Século
Boa Leitura.

Casa de Livro Blog.


Karina Belo.


Rosana cruzou a porta. O cômodo estava submerso na mais completa escuridão. Toda a confiança que trazia se desvaneceu. Fechou a porta vagarosamente. O coração batendo rápido. Tateou a parede até encontrar um interruptor. Uma luz acendeu, criando penumbra. Era uma lâmpada recoberta por tinta azul, que deixava fazer uma claridade fraca. O suficiente para que ela enxergasse outra cadeira no meio da sala. O que era? Alguma brincadeira? Rosana aos poucos se acalmou. Ao menos não tinha um fantasma ali dentro, nem mesmo uma turma em volta de uma mesa branca, evocando espíritos. Os olhos começaram a pesar. Ia fazer o jogo. Se aquilo trouxesse paz, ia ao menos tentar.

Conhecia a mãe. A mulher também tinha medo de ser colocada para fora de casa. Na época, Leon cultivara um ódio tremendo dos dois. Que depois se transformou em pena de si mesma. Depois em vício. O pai falecera um ano após a ter colocado fora de casa. Não tivera coragem de encontrar com a mãe. Não quisera se encontrar a mãe. Mas a mãe também definhara com a casa vazia. Morrera com um pouco mais de um ano do enterro do velho. Morrera deprimida. Leon nunca mais a tinha visto e estava drogada demais para se importar em aparecer para ver a mãe ou ir ao enterro. Arrependimento. Dor. Angústia. Drogas. Drogas. Drogas.

Ainda trêmulo, pôs as mãos sobre a mesa. As mãos tocando a toalha plástica e decadente. Respirou fundo. Era um homem, pombas! Não podia chorar. Mas a sensação de estar ali era mais forte do que ele. Era confrontar seus sentimentos mais pesados. Seus ressentimentos mais obscuros. Era com ser jogado de volta a uma tormenta. O lar, que deveria ser o refúgio, o lugar mais calmo, era o lugar por ele mais detestado. Sair dali. Fora o que sempre quis. Então, estava lá, de repente, arremessado de volta ao lugar que odiava. A casa pobre. O menino mais pobre da sala de aula. O cara que nunca tinha grana para
Sair com os amigos. Que inventava desculpas ou dizia que não gostava disso ou daquilo na lanchonete.
—”… vem, princesinha! — bradou o valente fidalgo. — Saia da escuridão e vamos embora daqui. Não tenha medo princesinha, pois eu já matei o dragão e venci a malvada bruxa. Já limpei o caminho até nosso ensolarado castelo onde te espera o amor e a compreensão. Vem, princesinha! Deixa essa cela escura e me dê à mão”. — declamou o pai

de Mariana, emocionado, olhando para a pequena princesinha que, finalmente, por obra divina, atendia seu chamado e apertava-lhe a mão.

Eça de Queiroz – O PRIMO BASÍLIO


Hoje iremos comentar sobre mais uma obra de Eça de Queirós, que foi um dos principais responsáveis pela introdução do realismo em Portugal. O Primo Basílio, obra que iremos desenvolver aqui no Blog, foi um dos livros que mais colaboraram para desbancar o romantismo de Camilo Castelo Branco e instalar em Portugal novos padrões de arte e de visão da sociedade e da vida.
O livro retrata a vida da classe média de Lisboa, com inesquecíveis tipos caricatos, como o Conselheiro Acácio e Dona Felicidade, é uma história envolvente.
Vamos começar então, a comentar sobre essa incrível obra.
Jorge, bem sucedido engenheiro e funcionário de um ministério. Luísa, moça romântica e sonhadora. Eles protagonizam a história, junto com o Primo, o típico casal burguês da classe média da sociedade lisboeta do século 19. Casados e felizes, falta apenas um filho para completar a alegria do lar, mais conhecido como “lar do engenheiro” esse era o nome da residência do casal, nome esse que foi dado por sua vizinhança pobre.
Existe um grupo de amigos que frequenta o lar de Jorge e Luísa, Dona Felicidade a beata que sofre de crises gasosas e morre de amores pelo Conselheiro. Sebastião, amigo íntimo de Jorge. Conselheiro Acácio, o bem letrado. Ernestinho e as empregadas – Joana, assanhada e namoradeira. Juliana, revoltada, invejosa, despeitada e amarga, e ela é também a responsável pelo conflito do romance. Digamos que a vilã.
Ao mesmo tempo em que cultiva uma união formal e feliz com Jorge, Luísa ainda mantém amizade com uma antiga colega, Leopoldina.
Leopoldina também era conhecida como “Pão-e-Queijo” por suas contínuas traições e adultérios. A felicidade e a segurança de Luísa passam a ser ameaçadas quando Jorge tende a viajar a trabalho para o Alentejo.
Após a partida de seu esposo, Luísa fica louca e com muito tédio sem ter o que fazer melancólica pela ausência de seu marido. E é exatamente nesse período que Basílio chega do exterior. Lindo e sedutor, o primo não leva muito tempo para conquistar o amor de Luísa, eles já haviam tido um breve romance antes de Luísa conhecer Jorge. 

Luísa é uma pessoa com uma forte visão romântica da vida, lia apenas romances, e Basílio apresentou-se como o personagem principal para seus sonhos. Era rico, jovem, lindo, morava na França, tudo perfeitamente romântico. O amor inicial transformou-se em ardente paixão e isso faz com que Luísa pratique adultério. Ela trai Jorge. E Juliana que já esta desconfiada, espera apenas uma oportunidade para apanhar a patroa em flagrante.

Os encontros entre os dois se dá a par de trocas de cartas de amor, uma das qual Juliana consegue roubar, graças aos conselhos sábios de tia Vitória, que começa a chantagear a patroa. Transformada de senhora mimada a escrava, Luísa começa a adoecer. De frágil constituição, os maus tratos que sofre de Juliana lhe tiram rapidamente o ânimo, fazendo com que sua saúde fique a cada dia que passe mais comprometida.
Jorge então volta, e de nada desconfia, pois Luísa satisfaz todos os caprichos da criada, enquanto tenta todas as soluções possíveis, até que pede ajuda para Sebastião, o qual armando uma cilada para Juliana, tentando levá-la presa, acaba por provocar a morte da moça. É um novo tempo para Luísa, cercado pelos carinhos de Jorge, Joana e da nova empregada. Porém já é tarde demais, enfraquecida pela vida que tivera de suportar sob a tirania de Juliana, Luísa sofre com uma violenta febre.
Agora de cama pela febre alta, ela não nota que Basílio lhe responde a uma carta escrita havia meses, e quando o carteiro entrega o papel em sua residência, chama a atenção de Jorge por estar endereçada a Luísa e remetida da França, motivo pelo qual ele a abre e descobre a traição da esposa nas palavras amorosas e cheias de saudades do Primo Basílio. A evidência da traição deixa Jorge desesperado, mas, no entanto ele acaba perdoando Luísa, o amor que tem pela esposa é muito forte, e vê-la doente desse jeito o deixa ainda mais emotivo. Mas de nada adiantam os carinhos e cuidados do marido e dos amigos.

Luísa morre e o lar, que era formalmente feliz, se desfaz. O romance termina com a volta de Basílio, o qual fugira deixando Luísa sem apoio. Eça de Queirós escreve com perfeitos detalhes o cinismo de Basílio, comentando sobre a morte de sua amante. O livro é encerrado explicando o mau caráter de Basílio. Enquanto caminhavam pela rua, o seu amigo Visconde Reinaldo censurava Basílio por ter tido um romance com uma burguesa. Mas Basílio confirma a suspeita do amigo, Luísa fora usada, não houve qualquer sentimento por parte dele. Luísa morrera, portanto, sem nunca ter sido amada por Basílio, o seu grande amor.
Uma das melhores obras de Eça de Queirós, O Primo Basílio é um clássico, Casa de Livro garante.

Saudade do Brasil – Instrumental – Tom Jobim
Trilha Sonora – Primo Basílio

Titulo: O Primo Basílio

Autor: Eça de Queirós
Ano: 1878
Páginas: 536
Editora: Editora Novo Século

Boa Leitura

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Karina Belo

Nota: cinco 

E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.
Ergueu-se de um salto, passou rapidamente um roupão, veio levantar os transparentes da janela… Que linda manhã! Era um daqueles dias do fim de agosto em que o estio faz uma pausa; há prematuramente, no calor e na luz, certa tranquilidade outonal; o sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve; o ar não tem o embaciado canicular, e o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada; respira-se mais livremente; e já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora. Veio-lhe uma alegria: sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo, e todas as agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele repouso. Foi-se ver ao espelho; achou a pele mais clara, mais fresca, e um enternecimento úmido no olhar; seria verdade então o que dizia Leopoldina, que “não havia como uma maldadezinha para fazer a gente bonita?” Tinha um amante, ela!

André Vianco – O CAMINHO DO POÇO DAS LÁGRIMAS

Você esta preparado para cruzar O Caminho do Poço das Lágrimas? Um acidente de carro faz com que, Jonas, Bosco e Ingrid, despertem subitamente em um caminho desconhecido. Uma sombria passagem de Pedras, enveredando por uma floresta escura e fria.
O trio voltava de uma viagem de final de semana onde o pai acabou errando o caminho.
Agora perdidos. Bosco, o caçula, tem sede. Ingrid tem pressa e Jonas, o pai, tem medo.
Durante a interminável caminhada, sempre encontram um velho, sem nome, apenas conhecido como o velho. Que não fala nada com nada. Apenas que eles não devem desviar nunca do caminho.
Mas Ingrid muito cansada acaba seguindo um rumo diferente. Tentando encontrar sua filha, Jonas passa pelas piores experiências de sua vida.
Bosco morrendo de sede encontra um poço. O Poço das lágrimas. Quebrando as regras ele bebe dessa água, e sente sobre suas costas todas as tristezas do mundo. E acaba também descobrindo um pouco, sobre porque eles estão presos ali. Entende que seu pai tem um segredo. Um grande segredo.
Jonas encontra a Dona Aranha. Uma aranha falante que deixa muito claro que ele deve pegar os filhos e seguir em frente. Sem mais nenhuma distração.
Caminhando há horas e muito cansados, encontram algumas casas onde podem descansar e passar a noite. Mas algo esta muito errado ali.
Será que irão conseguir encontrar a saída?

Jonas começa a ouvir coisas, cantigas, vozes, e uma delas ele sabe que é Lorena, sua esposa.

Isso significa que o caminho do poço das lágrimas esta chegando ao fim?

Ou ele esta ficando louco?

Jonas tem medo. Medo de explicar aos filhos como foram parar no Caminho do Poço das Lágrimas, medo de não ter tempo, medo de estar fazendo tudo errado em sua vida.

O Caminho do Poço das Lágrimas, escrito por André Vianco, um brasileiro, que mistura mágia e fábulas infantis, em uma obra que irá emocionar todos os seus leitores.

 
Quando estivermos naquele lugar, eu vou te dar a mão para caminhar. Por uma trilha estranha vamos passar e nenhuma vez sua mão eu vou soltar. Mas se seu amor for forte e durar, juro, meu benzinho, que vai ser fácil suportar. Toda a distância que vai surgir só vai… Aumentar o que eu sinto por ti.

Titulo: O Caminho do Poço das Lágrimas.
Autor: André Vianco
Ano: 2008
Páginas: 200
Editora: Novo Século

 
Boa Leitura

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Karina Belo